Domingo, Junho 21, 2009
E assim vamos vivendo. De ilusões perdidas em saudades antigas. De vasos de flores mal regadas e sonhos escondidos em estrelas. Eu desejo o toque no fundo mais fundo de mim. Desses que a gente se perde só pra poder se encontrar. Eu desejo a dor pela utopia primeira. O sopro de um caminho recheado de porquês, com as respostas certas das perguntas ainda inacabadas. Como um fole, que em vai e vens precisos transforma o ar em música, preciso que sopre o ar para transformar minha vida.
XVIII/VI/MMIX
Sonhos de Sabryna :: às 7:32 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009
AZUL CELESTE
Sou feita de sangue e éter. E púrpuras melodias. Num tom de agonias azuladas. De tristeza esquecida no vácuo. De feridas que se fazem e cicatrizam no escuro. Escalando brancas paredes. Molengas. Sou assim. De plumas e cores. Fazendo a Lua de pingente. Me derretendo com neve. De uma vida azul, verde, anil. Parada num tempo inerte. De um passado que pouco assusta e um futuro de sonhos mais futuros que os sonhos ainda não sonhados. Dança de tule azul turquesa. Do tempo que passa. E faz passar. Nas marcas dos de onde venho. No cambiar das pequenices. No ajuste do novo mundo. No explorar do teu universo. Alheio às minhas meras descobertas. Perdidas. Solitárias na noite. Atentas a mim mesma. Pois só a mim finda o que é de mim. Pois sou feita de sangue e éter.
XVI/II/MMIX
Sonhos de Sabryna :: às 12:36 AM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Domingo, Fevereiro 15, 2009
Se lhe dissesse que sou ainda querendo não ser. E se lhe dissesse que amo, e ainda que o amor seja capricho amargoso, e a falta de um eu açucarado de idéias e propulsões. Ilha perdida do mundo. Acrescida de dor e saudade. Apegos vãos, de tormentas inúteis. Sinto o sono dos que me amam. E a tortura de um amanhã presente. Castidades envelhecidas de silencio e pólvora. Sinto vontade de mim. Livre. De um querer inocente. Do bobo. Do homem lunar. Da borboleta tola que voa, por só saber voar.
X/I/MMIX – em Moreré, BA
Sonhos de Sabryna :: às 9:15 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Tenho o coração apertado. De tristeza. De mágoas ralas. Tristezas sem propósitos de ser. De profundidade rasa. Sinto o coração espinhaço. Sinto o vazio rotundo de velhos tempos. Fantasmas que rasgam de mim poemas futuros. Sinto o fervor e a amargura pelo vão que nos acorrenta. De um gotejar delirante. Uma escalada sem fim. Sinto você em mim. Assim querendo. Denso universo sem lágrimas. Palavras vãs. Sem máculas. O seu dorso, um precipício de adeus e aqui estou.
X/XII/MMVIII
Sonhos de Sabryna :: às 9:15 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Segunda-feira, Setembro 22, 2008
A venda
Notas musicais eu vendo todos os dias,
Assim fácil como estralar os dedos,
é bem barato basta ouvir, o custo é prestar atenção
Os passarinhos fazem isso, os bebês também,
A mariazinha filha da vizinha do lado de casa.
É uma vendedora nata, vende no atacado e no varejo.
Rsrsrsrsr linda ela, eu quando corto cebolas eu choro,
Não se compara a minha preta que chora só de olhar,
Ela é sensível como uma pétala de flor, doce como mel de abelha.
E quase um conto de fadas, só não é por que é de verdade, mas às vezes ....
É forte por que delicadeza tem sua defesa,
e eu escrevo pra ela as vezes bastante
as vezes de tempos em tempos.
Ela me ama sempre, um pouco menos na TPM, mas logo passa.
Eu adoraria morar em um vilarejo bosquiado de borboletas menos as de arroz,
Minha preta não gosta.
Eu sinto saudade do chute forte na bola de capotão
ou do pique- esconde, da festa de São João,
Mas também não tem por que,
“o tempo passa e com ele caminhamos todos juntos sem parar”
Ainda bem que tenho minha preta, sol, lua, mar, amor e só olhar nos olhos dela!
E fácil de ver é só prestar atenção.
Anjo
Sonhos de Sabryna :: às 10:44 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Às vezes a gente se encontra, se perde e desiste. Fácil é desistir. E no meio da partida a gente não sabe pra que veio. A gente não se reconhece. Sinto saudades de mim, e de tanto pensar assim já nem sei mais quem sou. Às vezes as noites podem mais do que parecem. E esqueço de olhar a Lua o tempo todo. Procuro arrepios em brisas frescas. Mas meu nariz escorre, meus olhos escorrem, meu peito escorre. Viro água corredeira. Correndo de mim atrás de mim mesma. Sinto falta de cheiro de terra molhada e de chuva fresca. Meus aromas fiz partir, ficaram as canções. À noite sonho com chitas floridas e fitas de cor pra sonhar com prazeres. Meus dedos sem tinta. Sem tinta aquarela. Sem tinta nanquim. Preto sangue água-forte. As palavras me fogem como me fogem as notas musicais. Como fogem meu olhar e meus lábios. Fogem distantes comigo, em uma mala cheiro-de-mofo. Sinto fome eterna. Sinto fome de presente. Do meu presente sempre ausente. Meu lençol é feito de cetim. Sinto falta do algodão que cobre teu corpo. Sinto falta do que não tive. Quando me perguntou o que me faltava me achou arrogante por não me faltar nada. O que pensaria hoje de mim se eu desejasse tudo? Sinto falta de quando o pouco importava e a solidão não era dor. Sinto saudades de mim...
Sonhos de Sabryna :: às 1:45 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Cheiros. O cheiro da Fiesp. O cheiro da praça. O cheiro do Trianon. Me arrepio com uma nova imagem. Tão antiga. Me arrepio com o cheiro verde que sopra o ar. Brota um sorriso nostaugico no rosto. Tantas imagens tão antigas quanto novas. Um helicóptero precisamente sobre o prédio do Banespa. É disso o que eu falo. A velha escadaria do Mambo onde o sol de punha. Um hidrante vermelho.
Sonhos de Sabryna :: às 1:44 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
O passarinho vem. Chega manso, saltitando preparando seu lar. Bem aqui diante da minha janela. A borboleta dança. Brinca com as flores. Com o pingo d’água. Brinca com as fitas coloridas e o cata-vento do jardim. Brinca de entra e sai na porta. Assim como a mariposa da cozinha. Os mosquitos bailam em um pequeno circulo bem no centro da sala. Me alegro com o ninho de passarinho na samambaia da janela. Sol quente de inverno. Novamente não me deixo sair de casa. Fico. Vejo cenas antigas. Ouço Crystal Ship. Lembro do cemitério dos vampiros. Choro. Muito. Com Mojo Risin na mente. Coração apertado. Chove torrencialmente dentro de mim. Sem sentido me sinto perdida. Saio. Caminho sem rumo. O bairro me aconchega. A Lua sorri pra mim. É a Lua Negra. De repente sei. É a Lua da reflexão. Ao cortar a cebola e esquentar o arroz, voltam as lágrimas. Penso no ninho da samambaia. Nas pombas teimosas que caminham pela casa. Nas lagartixas e aranhas. Nos carunchos que já foram minhas fadas preferidas, hoje alvo do meu extermínio. Penso até nos ratos que jantam cotidianamente na mesma hora da noite. É preciso confiança pra habitar uma casa de humanos. Ainda há um mar de inquietude dentro de mim, brotando por meus olhos. As vezes pareço não existir. Gritaria na casa ao lado. De repente silencio. “A menina se enforcou!” Qual menina? Pensei ser briga de família, a faca, os gritos. Mas a menina se enforcou. Quem se enforcaria assim? Que maneira de dar fim a vida. Porque a mulher, a moça o faria? Pego o antigo acordeom de madeira. Tão tosco e belo como que tirado de um filme de Fellini. Com suas teclas falhas de marfim e gravuras talhadas em estilo art nouveau. Toco. Aquieto o coração. Tomarei um sorvete. Quente noite de inverno. Prepararei os passos de dança para amanhã. Preciso redecorar meu texto. A menina se enforcou. Que motivos teria? Me veio em mente agora. Talvez não seja menina de moça. Talvez seja um anjinho. Partiu por acaso. Por um acaso divino. Faz-se silencio na vila. Apenas um cão late. E um bebe chora. Um anjinho. O pardalzinho já deve estar lá, no pequeno ninho ainda inacabado. Ele já vem para dormir. Deve se sentir assim. Seguro no aconchego. Ele estar á me alegra o coração. A Lua Negra sorri na noite escura. Logo as sirenes quebrarão o silencio. III/IX/MMVIII
Sonhos de Sabryna :: às 1:44 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Sexta-feira, Julho 20, 2007
Conforme o sol vai saindo, vai fazendo um frio danado. Roubo o último bom-bom da caixa de chocolates. Sorrateira. De um pecadinho só meu. Degustando o doce escondido com o hálito ainda dormente. Pepita dourada tirada de um coração. Há dias, vi devaneios polvilhados no chão. Polvilho alvo que me acudia a cada toque no tablado. E voava alto como poeira clara, com o rodar das saias brancas das Marias de peles alvas, que giravam e giravam, num bailar de gostosa alvura pura, como em um tambor de crioula. E lá estavam meus devaneios todos espelhados pelos ares. Na brancura da poeira. Como uma Ave Maria pelos céus.
Sonhos de Sabryna :: às 12:08 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Quarta-feira, Dezembro 20, 2006
LUGARES DE QUASE VÔO
Sonhos de Sabryna :: às 8:12 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Segunda-feira, Dezembro 04, 2006
DIA DE SANTA BÁRBARA
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A Deusa dos Orixás
Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Yansã penteia os seus cabelos macios
Quando a luz da lua cheia clareia as águas do rio
Ogum sonhava com a filha de Nanã
E pensava que as estrelas eram os olhos de Yansã
Mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Na terra dos orixás, o amor se dividia
Entre um deus que era de paz
E outro deus que combatia
Como a luta só termina quando existe um vencedor
Yansã virou rainha da coroa de Xangô
Mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar
Clara Nunes
Composição: Romildo/Toninho
Sonhos de Sabryna :: às 9:49 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Terça-feira, Novembro 07, 2006
A CHUVA
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Sabryna Mato Grosso
XXIX/X/MMVI
Sonhos de Sabryna :: às 12:26 AM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Segunda-feira, Outubro 23, 2006
Sonhos de Sabryna :: às 4:12 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Segunda-feira, Agosto 28, 2006
O dia em que Marte se aproximou da Terra...
CIDADE DUAS LUAS
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Sabryna Mato Grosso
XXVII/VIII/MMVI
Sonhos de Sabryna :: às 1:38 AM :: Deixe seu COMENTÁRIO:
Terça-feira, Julho 18, 2006
A VENTANIA
"Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara."
Eduardo Galeano
Sonhos de Sabryna :: às 9:07 PM :: Deixe seu COMENTÁRIO: